Até o anúncio de Pokémon X e Y eu não estava muito interessado pelo 3DS. Em casa, meu backlog estava cada vez maior graças ao vício em MMOs que estava ocupando todo meu tempo, Fora dela, o celular estava mais do que suficiente para jogar no caminho do trabalho.
Com o anúncio, resolvi que era hora de deixar o celular de lado e usar um portátil de verdade para jogar. Comprei um 3DS. Como pretendia usar ele principalmente no caminho para o trabalho, comprei o modelo OG em vez do XL. Como ele tem o mesmo tamanho do DS Lite, não corro o risco de alguém bater o braço na tela de cima e acabar estragando o console.
O console já tem quase 2 anos, uma revisão de hardware e infinitos reviews completos na internet. Por isso resolvi escrever um pouco sobre minha experiência com ele em vez de um review completo.
3D
O diferencial do 3DS é o 3D sem a necessidade de óculos. Ele é um gimmick, ninguém com a cabeça no lugar compra um 3DS só para ver jogos e vídeos em 3D. Quando comprei o console pensei que iria passar uns dias, talvez uma semana e nunca mais o slider sairia da posição de desligado. Para minha surpresa ainda hoje é raro eu jogar com ele desligado.
O efeito 3D é usado da mesma forma que em filmes atualmente, dando profundidade para a cena ao invés de jogando coisas na sua cara, como era antigamente. Com isso, os cenários acabam ficando muito mais agradáveis de se olhar, já que o efeito acaba dando um volume ao mesmo.
Como o efeito 3D do 3DS é feito usando paralax, o ângulo de visão para o 3D funcionar corretamente é bem pequeno. Não é raro mexer o 3DS de leve e já começar a ver a tela duplicada ou borrada. O maior problema disso, pelo menos comigo, é que junto vem um desconforto de olhar para a tela e acaba sendo mais fácil desligar o 3D do que arrumar o ângulo dela.
Online
Não é novidade para ninguém que a rede online da Nintendo é péssima, cheia de falhas e com poucas funcionalidades. Infelizmente, o 3DS mantêm a tradição e traz um sistema online fraco, confuso e espalhado entre aplicativos.
O sistema de friend codes recebeu melhorias em relação ao DS original, agora é necessário apenas um código para o console em vez de um para cada jogo. As melhorias infelizmente param por aí. Ainda é necessário que as duas pessoas se adicionem manualmente e não existe nenhum tipo de notificação caso alguém te adicione.
Embora seja possível trocar mensagens, é necessário instalar um aplicativo antes e a Nintendo faz um péssimo trabalho falando sobre a existência dele. Assim, alguém que compra um 3DS sem pesquisar um pouco sobre o console antes pode nunca saber da existência dele. Além disso, o aplicativo tem problemas com mensagens demorando dias para serem enviadas ou até mesmo nunca chegando para a outra pessoa.
Tentei jogar online Mario Kart 7 e a experiência não é muito diferente da versão de DS. Antes de qualquer coisa é necessário esperar o 3DS se conectar ao servidor, o que inclusive demora mais no MK7 do que no MKDS. Depois de esperar um bom tempo e torcer para que não ocorra nenhum erro na conexão, ainda é necessário esperar mais para que o jogo ache uma sala caso esteja usando o matchmaking.
Jogar com amigos continua tão ruim quanto era no DS. É necessário que tudo seja combinado fora do console, não é possível enviar mensagens com o jogo aberto, já que ao tentar abrir o swapnote ele tenta fechar o jogo e o 3DS não tem um sistema de convites. Ao menos é possível acessar rapidamente uma sala pela lista de amigos.
StreetPass
Embora a rede online da Nintendo seja péssima, o 3DS conta com outra funcionalidade “multiplayer” que funciona muito bem, o StreetPass. O conceito é bem simples: quando um console entra no alcance do outro, eles trocam informações automaticamente. Informações essas que podem ser leaderboards, informações sobre seu Mii ou itens de algum jogo.
O DS já tinha alguns jogos com a mesma funcionalidade, mas como a implementação era feita pelo próprio jogo era bem complicado achar gente para trocar essas informações. Só era possível trocar dados de um jogo, que deveria estar no console e em um modo especial que impede que qualquer outra coisa seja feita enquanto isso.
Como a implementação no 3DS é feita pelo próprio console, as coisas ficaram bem melhores. Agora é possível trocar dados de até 20 jogos de uma vez só e ela pode ocorrer mesmo quando se está jogando alguma coisa (exceto jogos de DS/DSi Ware, já que eles desligam as funcionalidades do 3DS). Acredito que a distância máxima para que a transferência ocorra também tenha ficado maior, já que o console foi criado com esse tipo de interação em mente.
Porém, a parte mais surpreendente para mim foi isso funcionar bem aqui no Brasil. No DS, passei meses tentando achar alguém que também fizesse isso com The Worlds End With You, Dragon Quest IX ou Pokémon White mas nunca achei ninguém. No 3DS, em compensação, é raro passar um dia sem achar uma ou duas pessoas durante o dia.
eShop
A loja online da Nintendo me surpreendeu bastante. Eu esperava ver uma loja confusa, com pouco conteúdo e impossível de usar sem muita boa vontade e paciência. No lugar disso, vi uma loja decente e até mesmo melhor que a Live/PSN em alguns momentos.
Ela é simples de navegar, e bem organizada, com categorias de aplicativos, jogos com 3D, demos, etc. Também foi simples achar o conteúdo dentro da eShop. O conteúdo mais novo fica organizado na página inicial e a busca é eficente para achar jogos mais antigos.
Os preços são bons, com jogos na faixa de R$15 para jogos da própria eShop e R$10 para jogos do Virtual Console. Alguns jogos retail são mais baratos (como Bit.Trip Saga a R$25 e Harvest Moon a R$80), mas no geral eles seguem o preço das versões físicas (cerca de R$150 reais). Além disso, muitos jogos retail estão disponíveis para compra na própria eShop, alguns até mesmo com pre-order e lançamento na mesma data da versão física do jogo.
A experiência de compra também é muito boa. Toda compra feita na eShop brasileira é feita em Reais, não apenas exibida em Reais e depois cobrada em Dólar como em outras lojas ou usando pontos mágicos com conversões estranhas. Ademais, é possível creditar o valor exato ou a diferença entre seu saldo atual e o valor do que se está comprando, evitando aqueles restos de pontos comuns nas lojas de outros consoles.
Porém, nem tudo é perfeito. Embora a Nintendo já tenha dito que pretende criar um sistema de contas como no Wii U por hora, a eShop do 3DS ainda está associando as compras ao console em que ela foi feita. E embora a Nintendo teoricamente seja capaz de transferir os seus dados para um console novo, essa é uma solução muito mais porca e demorada do que simplesmente logar com sua conta. Aliás, eu não tenho ideia se isso funciona direito aqui no Brasil.
O sistema de downloads também deixa muito a desejar. Os downloads são medidos em blocos em vez de megas ou gigas, o que acaba confundindo um pouco já que vai demorar alguns downloads para entender que um arquivo de 50 blocos é pequeno. O sistema também é confuso com relação a pausa e retomada de downloads. Não é possível retomar downloads com a tela aberta; com a tela fechada, ou seja, com o console em sleep mode, não é possível escolher ou priorizar o que será baixado.